Top 3 ‘semanal’

Vocês sabem que, quando eu digo semanal, quer dizer quinzenal, né.
QUANDO EU DIGO NÃO, QUER DIZER QUE DIGO SIM, uou uou.

Confesso que ando com preguiça de escrever, as ladeiras da cidade tão me matando. Além de intelectual e vivida, sairei daqui CAS PERNONA. Mas estamos nos acostumando aos poucos e já sinto que meu condicionamento melhora a olhos vistos. E olha que em Fortaleza eu costumava caminhar muito mais que um meireleense médio. Ontem praticamente precisei nadar contra uma correnteza, uma chuva insana ladeira abaixo, eu com a calça enrolada no tornozelo – há algum sintoma de pobreza maior do que subir a barra da calça na descida do ônibus? Se tiver, não me digam. Beijos. Mas resisti. Quem não resistiu foi minha garganta, que tá sentindo a diferença de temperatura.

Mas nem só de ladeiras é feita a cidade. Vamos para nosso TOP 3 da… ‘semana’ (risos).

TOP 3 melhores coisas de SP da semana

3. Andar a pé

Pra mim, isso entra no melhor daqui. Porque a gente só conhece uma cidade, na minha opinião, quando caminhamos pelas calçadas, percebemos os detalhes de um prédio, refazemos o trajeto e uma lojinha nova, observamos as pessoas, OS CACHORROS LINDOS (Elvis, não me leve a mal). Essa semana andei 1,1km ATRÁS DE UN PENDRIVE (ainda tô muito presa às lojas americanas, não consigo evitar, e procurei no foursquare a ‘mais próxima’) e, até chegar no shopping, vi tanta gente na rua, um trânsito legal de pessoas, a senhorinha que vai no mercadinho, conhece os funcionários e dá bom dia. Crianças voltam da escola, casais se agarrando na calçada, isso é vida, né, meu povo. Se você não acha, então deita na br. #brinks (só queria usar deita na br). Daí, mal notei o quilometrinho até as americanas, tamanha a quantidade de coisas que vi/descobri/achei legal e vou voltar lá em Perdizes (sempre lembro de codornas, nota mental). Não é tipo excursão em ônibus de turismo, um moço no microfone dizendo que à direita passou um negócio lá, ooopa, ninguém viu. Nada contra excursões, acho ótimo, inclusive queria fazer isso com amigos um dia:


– Video fantástico mostrado pela @fichanocaixa, do blog irmãozinho Macarrão com Salsicha

2. Conversas no ônibus

O trânsito daqui não é mole, então as pessoas precisam se divertir com alguma coisa. Sempre tem alguém no ônibus que engata uns papos e entretém os passageiros. E quem não gosta de conversa, deita na br, opa, coloca fone de ouvido, pronto, resolveu. Essa semana escutei um papo mega surreal de um senhor, falando que ele era ativista em favor da natureza e foi ameaçado de morte em florianópolis, por grandes empresários que querem construir coisas no litoral etc. Ele disse que uma noite sofreu uma emboscada junto com um amigo, o carro foi fechado por outro e dele saíram homens de capuz. Eles brigaram com os caras de capuz e fugiram. Ele tava em São Paulo pra se esconder da máfia. Os passageiros tudo de boca aberta. Podia ser tudo mentira, mas quando dei conta, já tinha feito a ponte aérea Santana – Perdizes. Só por isso já valeu.

1. Feira

Feira é uma das coisas mais NHONHON daqui. Não falo só do Mercadão ou das feiras tipo Benedito Calixto, que são ótimas. Mas as feiras roots, de bairro, menorzinhas. Fui em uma semana passada, fiquei fascinada, porque eles fazem todas aquelas piadinhas de feira, tipo ‘moça bonita não paga mas também não leva’, cortam frutinhas pra gente provar, vendem coisas muito fresquinhas, tem as senhorinhas com carrinhos (algumas senhorinhas daqui são uma coisa muito legal, muito MOCA, muito auditório dos silvio santos) e, claro, ele: PASTEL. Como eu não vejo aquele Bem Estar da Globo, comi sem medo de ser feliz e quero voltar lá toda quarta. A feira é tão importante, que toda semana a Ananda APPLE vai pras feiras mostrar o que tá barato, fala dos nutrientes etc, lá no SP TV 1a edição.


– Seu pai e sua mãe vestidos para o baile dos enxutosss

TOP 3 piores coisas de SP da semana

3. Calor

Até hoje (literalmente, porque hoje esfriou um pouquinho), os dias andavam insuportáveis por causa do calor. É um calor diferente do de Fortaleza, mais abafado, mais opressor. Só um colega de sala, que vem do Piauí, é que não tava morrendo, aos 33 graus. As pessoas olhavam pra mim, tipo ‘mas você não vem de Fortaleza’? Não queiram ver meu olhar com lasers cortando a galera.

2. A gente não pode errar

No comércio e na rua, de forma geral, as pessoas aqui exigem respostas muito rápidas. Eu, que ainda tenho a mania vintage de pensar antes de falar/agir, sofro um pouco. No metrô, nem pensar em titubear na saída do vagão e errar a direção, que você é esmagado. No supermercado, a pessoa pergunta CPFNANOTA? e, quando você não tá acostumado, ainda fica ‘err, anh..?’. No McDonald’s, a pessoa pergunta qual a bebida e se irrita se a gente não responde imediatamente e pensa por três segundos. Até pra pedir informação, se a gente não fala rápido a criatura se exaspera. Muito aflitivo, nã. TENHO MEDO DE SOFRER BULLYING PORQUE NÃO PENSO RÁPIDO AQUI.

3. Trr, Nextel, Trr

Sem comentários, né. Trr. No metrô ou na rua trr é um verdadeiro inferno, a quantidade de gente trr usando a praga do trr Nextel. Trr. A gente trr tá cansado de passar o trr dia fora e não tem como ler trr ou cochilar trr porque todo mundo trr agora usa rádio pra trr se comunicar.

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TOP 3 pra começar

Oi, gente

SIM, EU DISSE OI GENTE

Aos poucos, vamos tentando retomar as atividades desse blog tão QUIRIDO para todos nós, néam. #Seilácomoescreve textos com mais de 140 caracteres, mas vou tentar retomar the rhythm of the night e reacender a chama da paixão por este espaço.

Pra reiniciar os trabalhos, resolvi me disciplinar a fazer um TOP 3 semanal (e muito pessoal) do melhor e do pior em SP, cidade que será minha casinha por este ano. Espero que, entre um TOP e outro, eu consiga postar outras coisinhas por aqui. Olha lá, troquei o layout e tudo, ESTOU ME DANDO DE CORPO E ALMA, ME AMEM.

Cheguei aqui tem quatro dias, mas a vontade foi tão grande de escrever que resolvi fazer logo o primeiro NÃO ME JULGUEM.

TOP 3 piores coisas de SP da semana

3. Vento encanado do quinto andar da Puc

Eu achava que a Puc acabava no quarto andar, mas nãããããão, tem uma LAJE no quinto, onde os alunos têm aula. O espaço parece um açougue desativado, uma mistura de chão de cimento com parede de azulejo (não sei se são azulejos, na verdade não lembro, mas me passou uma SENSAÇÃO DE AZULEJO. quem me conhece sabe do meu abuso de parede de azulejo em lugares que não são banheiro ou cozinha). As partes a céu aberto tornam impossível o acesso às salas em dia de chuva – ou seja, TODOS OS DIAS, né meu povo. Além do risco da gente levar um tombo no chão molhado e quebrar a bacia (tá, eu não tenho osteoporose, mas é só pra dar uma dramaticidade ao relato), a arquitetura do local produz aquele ventinho encanado delícia #NOT (obrigada Mônica pelo toque) que provoca arrepios e pneumonias (sou hipocondríaca? sim? com certeza?). Verdadeiramente promissor, mal posso esperar o inverno e ver como meu nariz reagirá. SE EU NÃO DER NOTÍCIAS EM 24 HORAS CHAMEM O C.S.I.

2. Ar seco + Ladeiras = CANSAÇO

Falando em nariz, a rinite vai mal, obrigada. Principalmente pelo ar muy agradável, que reúne secura e poluição na proporção exata de um ataque alérgico nível 11 (numa escala que vai de zero à DESMORALIZAÇÃO). O ar é tão poluído, que a qualquer momento acho que vou respirar alguma embalagem voadora de barra de cereal. Todos os dias pego duas ladeiras a pé e é muito gostoso chegar no topo, cantar a música do rocky, respirar fundo pra se recuperar no alto da colina… e sentir um cacto entrando, lá ele.

1. Piracema de pessoas atropelando na saída do metrô

INSANO. A gente pode estar em coma, mumificado, whatever, que a multidão se encarrega de te arrastar até a integração com a linha azul. MESMO QUE VOCÊ NÃO QUEIRA.

TOP 3 melhores coisas de SP da semana

3. Masp, seu lindo

Impressionante como me sinto bem no Masp. Fico lá por horas e horas, amo, DORMIRIA NO MASP. Ainda mais às terças, quando é de graça. Essa semana vi a exposição Roma e saí de lá me achando uma privilegiada, por ver tanta coisa legal. O que mais me chamou a atenção foi a estátua ABSURDA do Calígula, lindona, glamour, nota DÉISH em alegorias e adereços. E adorei o imperador Adriano, que era casado mas instituiu o culto a Antinoo, o homem que ele amava. BAPHO.

2. Descobrir o ônibus Butantã-Usp

Na verdade, caí na pegadinha do Butantã-Usp. Quando a gente pega no ponto certo, ele é perfeito, porque sai daqui pertinho e desce em cima da faculdade. Quando a gente pega no ponto errado (tipo eu essa semana), o mesmo Butantã-Usp te leva pra outro lugar completamente diferente. PEGADINHA DO MALLANDRO, hein, oeeee. Bem que Aline tinha avisado, que existem ônibus verdadeiros e falsos. Você acha que é Rutinha, mas é Raquel. Mesmo depois desse episódio, continuo amando e confiando no Butantã-Usp e ele foi para o TOP 3 de melhores coisas. Mas assim, por quê não usar nomes diferentes para linhas diferentes e seguir a lógica? Fica a dica esperta para a Sptrans.

1. Bombonières nas ruas

Eu ia colocar as padarias no topo, porque amo padaria em SP. Pizza no balcão, pão na chapa, essa coisa toda me fascina. Mas essa semana não tive tempo de ir a nenhuma, então fico com as bombonières. Bombonière, só queria te dizer que VOCÊ NASCEU PRA MIM, EU NASCI PRA VOCÊ. Porque são micro lojinhas cheias de kit kats, docinhos variados, mil tipos de balas, todas aquelas coisas que trazem azia e prazer. Sempre passo pra conferir as NOVIDADSSSS. Tudo o que amo e preciso está lá. ME SINTO UMA CRIANÇA, MOLECA #bbbfeelings NA BOMBONIÈRE.

 

Quem quer trocar olhares com Paul McCartney?

Podem tocar CARMINA BURANA, porque 4597439 anos depois (não digo o tempo real para NÃO REVELAR A IDADE), volto a conjugar o verbo TO  POSTAR NO BLOG. Não sei se é um retorno definitivo, porque hoje em dia nem permanente é definitivo (reflitam), mas é o que tem pra hoje. O que mudou em mim? Bom, continuo ruiva, ainda sou prolixa e ando com uns vícios de linguagem do twitter, tipo enfatizar com caixa alta; o que é ODIOSO, mas me aceitem do jeito que sou, beijos.

O tema de hoje, claro, é PÓL. PÓL McCartney. Aprendi que se pronuncia Paul como PÓL – e não como POW – com meu namorado americano e com pescoço, o famoso PÊ PONTINHO. Claro, sempre que falo no Paul, digo POW, pra não chocar as massas. As pessoas sempre estranham se você fala inglês correto, te julgam boçais, “olha ela, querendo se amostrar”, então falo errado de propósito. Até porque, só falando POW é que funciona a piada horrível e ótima (reflitam) do “John Lennon está? Não, foi PAUL MCCARTNEY no correio”.

Sim, mas meu RECORTE [vida acadêmica mode ON] é especificamente o show DELE no Brasil. Por enquanto, não contarei como foi o meu em Porto Alegre. Quem sabe um dia, quando eu conseguir assimilar e compreender a experiência. Juro, fiquei umas cinco horas sem dormir depois do show, pensando se haveria sentido na vida depois daquilo. Porque nunca mais vou viver uma felicidade daquele tamanho. Aquilo é o extremo, até porque TROCAMOS OLHARES. Quando eu conseguir o cabo da câmera, postarei para vocês esse momento lindo, além de meus gritos guturais durante os fogos de Live and Let Die.

Perdi totalmente o timing da postagem, não consigo entrar no assunto. MAS PERAINDA. Estou aqui para ajudar as pessoas, porque tenho responsabilidade social, tenho certidão de nasciumentuuu e sou cidadã. Vou compartilhar algumas dicas BABADO para você, amiga dona de casa, que pretende enfrentar o show como uma experiência modificadora, um caminho de santiago de compostela do rock, uma transformação profunda.

– Sim, estou falando com você (olhos nos olhos) que vai para a pista Premium e deseja ficar FACE TO FACE com ELE.

Aprendi muito em Porto Alegre, muito. Foram 11h30 de espera, da hora que cheguei ao estádio até o momento em que as luzes se apagam e tal, COMEÇA. Libido, magia e sedução no ar, quando ele adentra o palco, LINDO, como nos meus sonh… Tá.

As dicas abaixo, embora aprendidas em Porto Alegre, podem ajudar quem vai para São Paulo, enfrentar longas filas e desejam TROCAR OLHARES com ele também.

Comece não bancando o espertão na hora de pegar os ingressos na bilheteria

Se a organização do show solicita amigavelmente para você levar o RG, o cartão de crédito da compra, o voucher, uma calcinha e um bonsai, OBEDEÇA. Embora seus amigos comentem que não precisaram de nada (“A moça da bilheteria olhou nos meus olhos e entregou”), vai que você pega um atendente exigente. E aí, você vai mesmo colocar seu show em risco? Não custa nada ser prudente e humilde NA VIDA. [tapa na cara da sociedade mode ON]

Leve água, muita água

Em Porto Alegre, um copinho custava TRÊS REAIS, muito justo #NOT. Meu povo, bora cuidar do meio ambiente, senão no futuro todos os copinhos do mundo custarão esse preço e aí, como vai ser? Nossos filhos e netos, tal. Então, é altamente sábio comprar no supermercado aquelas garrafas maiores e levar, tipo umas três, até mesmo para lavar as mãos eventualmente. Um isopor ajuda a manter tudo mais geladinho, mas ele tem que ser abandonado ao entrar no estádio. Desapego, meu povo. Você não precisa de um isopor pra viver, forget it. Ah, a gente conseguia entrar no estádio só com garrafinhas menores de água, uma coisa “consumo próprio”. E garantir seu suprimento de água é uma boa se você vai querer ficar na frente, como eu fiquei (AHAM, AHAM) – os vendedores dificilmente chegam até lá, porque as pessoas ficam num esquema tão compacto que os caras não passam.

Câmera

Bom, sou a paladina da prudência e da não-ousadia nesses momentos. Se o ingresso diz “Permitido câmera amadora”, então mostre que sabe ler, contente-se com sua cybershot e seja feliz. “Ah, mas eu vi gente com câmera profissional”. Eu também vi, em Porto Alegre tinha uma moça na minha frente, balançando o que deveria ser o telescópio Hubble. O problema, meu querido (voz do Capitão Nascimento em Tropa de Elite 2), é que existe a Lei de Murphy. Vai que a pessoa não te deixa entrar com a câmera e #taíteubrinde. Exercita agora o desapego com a tua Nikkon, que eu quero ver.

E, de boa, acho meio chato quem filma o show inteiro e depois assiste em casa. Não atirem tomates, é só uma opinião. Filmem uma ou outra coisinha, a menos que vocês estejam com uma credencial escrita IMPRENSA.

Lenços umedecidos

A descoberta do ano, prêmio Pulitzer de melhor utensílio para shows, prêmio Jabuti de melhor invenção da humanidade, prêmio Shell de inventividade, nota 10 e meio pela harmonia e enredo no carnaval carioca. São geladinhos, versáteis, comportados. Isso me salvou. De cara, eu ia morrer de HIPERTEMIA [inventei agora] debaixo do sol de 37 graus de Porto Alegre. Trinta e sete fucking graus. Ok, em São Paulo dificilmente chegaremos a tal ponto, mas há uma série de outras vantagens. Eles são ótimos pra levar ao banheiro quimico – um teste de resistência a mais para as mulheres, servem para limpar as mãos, para deixar o pescoco geladinho, para aliviar o calor nos pés e até para colocar por baixo da blusa, na barriga. Uhhh… Você se sente no comercial do Kolynos, andando de jet ski.

Tênis sempre

Acho sapatilha sempre ousado, embora o argumento “conforto” e “beleza” seja tentador. O problema é que se o Paul gritar “Tira o pé do chão” (e o português dele está cada vez melhor), a galera PIRA e você provavelmente perderá a sapatilha na confusão. ADEUS. Uma dica TUDO é ir com algum chinelo muito barato e levar o tênis com meia numa sacola, pra colocar só na hora de entrar no estádio. Faz a diferença, porque o pé esquenta demais depois de dez horas seguidas.

Roupitchas

Calça, ponto. A gente fica sentado na fila, se suja, rola na lama, ficamos imundos e felizes. Eu jamais ficaria de perna de fora ali, DE BOA. Mas isso é de cada um, uma menina em Porto Alegre foi de short e meia-calça preta – chegou fashion e terminou #todacagada, mas ela tava relax. A blusa deve ser comum, normal, nada muito frágil, tipo “Irei com essa blusa de GUIPURE do século XIX que herdei de bisvovó e é de estimação”. Não, tem que ir com roupas que você não tem apego e que poderá, eventualmente, descartar depois do show. Nos Rolling Stones, por exemplo, minha calça e minha blusa foram perda total, deu uma chuva lá e ficaram manchadas. Inclusive, bora torcer pra não chover, porque um monte de cabelo alêi gruda no seu braço, quando se está em uma multidão.

Cabelo

Acho legal sempre ter liga e grampo pra fazer um coque e não ficar com cara de monstro, toda desgrenhada. O Paul merece gente feia na plateia? Não, não merece. Boné é algo que não uso, mas pode ser uma boa. Ou então assuma o messy hair, que Marco Antônio di Biaggi ama.

Make

Evitaria coisas nos olhos, inclusive óculos, hehe. Meu lápis borrou todo porque chorei muito. MUITO. Mas tenho um dilema na vida, preciso usar lápis pra marcar o lugar do olho no meu rosto, porque é tudo muito claro e ninguém vê. Não, não me lamentar agora lembrando das discriminações sofridas na infância. Se você pode dispensar o lápis, ótimo. Acho válido rimel à prova d’água e um batonzinho pra hidratar ao longo do dia. Base, corretivo, blush, tudo é meio que dispensável a meu ver. Se nascer uma espinha imensa na ponta do seu nariz no grande dia, confeccione uma máscara de papelão. Ana Maria Braga disse que você pode vendê-la por 134 reais.

Comidinhas

Vale levar barra de cereal, chocolate (ficam bons geladinhos, num isopor com a água), biscoito salgado. TEM QUE COMER. Tanto coisa salgada como doce, pra garantir a glicose a pressão arterial. É puro preparo fisico! Na hora de almoçar, consegui encarar só um cachorro-quente. Não tinha como comer comida-comida no calor que passei. Enfim, procure algo leve, sem molhos (MÓLHOS) e tal. Para quê ousar?

Sombrinha e capa de chuva

Em SP é básico levar um guarda-chuvinha barato. O mais barato e fuleiro que você achar, porque novamente terá que exercitar o desapego e abandoná-lo antes de entrar no estádio. Mas leve, custa nada. Pra se proteger tanto do sol como de uma eventual chuva. E como algo me diz que vai chover no show, bora comprar capa de chuva, pra não inutilizar sua roupa e a dignidade brilhar até o fim.

Protetor solar

Não faça como eu, que ESQUECEU o protetor em casa, só passou antes de sair e se lascou, quase pegando uma insolação (obrigada a quem perguntou, minha pele melhorou já no dia seguinte). Vou jogar uma praga pra quem esquecer o protetor: USARÁS UMA MANGA AVULSA ESCRITO “HONDA” E ANDARÁS DE MOTOCA NA WASHINGTON SOARES EM 2011.

Almofada

Tinha gente levando banquinho ou cadeira de praia (oi?), mas prefiro melão, aliás, almofada. Ou mesmo uma esteira de praia, que é fininha e prática de carregar, pra você ficar sentado durante toooodo o dia com conforto. Meu povo, em Porto Alegre a galera tava vendendo PAPELÃO e o pessoal comprava, pra sentar em cima. Querem algo mais OSSO que isso? O bom da almofada é que pode entrar no estádio e você fica sentada um pouquinho antes de começar o show. Na grande hora, coloquei a almofada numa sacola de plástico, que levei pra isso, fiquei com ela no ombro o show inteiro e foi tranquilo.

Analise seus objetivos

Acho que a grade é o objetivo de todo o Brasil, certo. E o povo de São Paulo é o mais desesperado em matéria de show, certo. Se em Porto Alegre tinha gente dormindo na fila desde QUINTA [o show sendo domingo, hein] para ficar na frente, imagino o esquema de São Paulo.

Sei que o desespero é grande, mas pode ser que a criatura não seja atleta e fique cansada demais ou até passe mal, deixando de aproveitar o show com
dores, SUJO, sei lá. Acho que a prioridade deve ser curtir, pelo menos era a minha. E, se você tá na prime, vai ficar num lugar ótimo, no matter what.
Acho que o limite é o que eu fiz, chegando 11h, 12h antes do show. É limite mesmo. Pensei que fosse desmaiar, até porque você fica cansada, é um aperto, muito tempo em pé. Fiquei umas 6h sem liquido, foi horrível.

É louco, mas o sacrifício compensou, fiquei tipo com quatro pessoas na minha frente. Dava pra ver a grade. VER A GRADE PODE SER A NOVA META. E a visão era perfeita. Paul consegue olhar o pessoal que está a essa distância; já o povo da grade não é muito visto porque fica uma luz na cara dele que dificulta – e artistas não olham pra baixo. A grade ainda tem o problema de apertar as costelas, prejudicando MUITO a respiração. Quando fui pros Rolling Stones e pro U2, fiquei na grade e depois senti uma falta de ar incrível. E máscaras de oxigênio não cairão. Enfim, não tô aqui depreciando a grade, porque ela é ótima; estou só falando que há outras
possibilidades de ser feliz. 🙂

Que hora chegar?

Tá, resumindo. Se vc quer ficar na grade, o que está fazendo aí, lendo esse post? Vai ter que dormir na fila um ou dois dias. Se quiser apenas pegar um lugar bom e muito perto, tipo eu, chega as 8h da manhã. Se quiser SEM EMOÇÃO, do meio pra trás na prime, 14h é o ideal. Acho que o máximo que dá pra chegar é 14h30, 15h. O MÁXIMO. Tudo fica caótico, tumultuado e, pior, o desespero faz com que pessoas tentem furar filas. Como boa paulista, quero MATAR quem fura fila. Então não custa nada chegar pelo menos duas horas antes de abrir o portão. E consciente de que vai ficar lá no fundo da prime – o que é ótimo, se vc pensa no povo da pista normal. Perspective is everything, como diz minha amiga @lahris.

Banheiros químicos

Não tenha medo de beber muita água e precisar dos banheiros, porque você VAI PRECISAR DOS BANHEIROS. Pior é ficar desidratado. O lema é poupar o físico para o show. Três pessoas desmaiaram em volta de mim, antes do show, por causa de sede, pressão baixa e calor. Pense bem se vale a pena OUSAR. Enfim, banheiros. Não lembro se perto do Morumbi tem posto de gasolina, mas eles são lugares bons pra fazer um xixi. Os químicos começam a ficar intragaveis já a partir das 11h e é nesse momento que você entende porque o nome deles é QUÍMICO, if you know what I mean. Mas é o jeito.

Timing de xixi e almoço

O portão deve abrir umas 17h, né. Então você tem de estar de volta do almoço e na fila, em definitivo, no máximo 15h. Esse horário das 15h é bem crítico, porque a organização fica mais presente, a expectativa da abertura do portão aumenta e tal. Todo mundo que passou o dia sentado na fila vai se
agitando. Se você guardou lugar para sua amiga que só vai chegar as 17h – sua amiga, a rainha da Inglaterra -, bom, dificilmente o povo deixa passar. Uma linha sutil separa isso de um furo de fila, convenhamos. Também não consegui ir mais ao banheiro depois de 15h30 [essa pauta do xixi é sempre tão indiscreta, me sinto INVADIDA. mas escrevo esse post POR AMOR], então até meia-noite vai ser assim. Mas digo que a gente esquece essas formalidades com o passar do tempo. Só não se acabe de tomar água depois de 12h. Sempre que faço um gol na vida, levanto a camiseta e por baixo está escrito “NOÇÃO, BRASIL”.

Mochilas ou bolsa?

Acho bolsa a tiracolo a melhor, porque dificulta a ação de espertinhos, é geralmente pequena e deixa as mãos livres. Mochila é bacana, mas prefiro levar coisas em uma sacola mesmo, já que tudo vai ser abandonado na entrada ou consumido. A mochila tem uma desvantagem extra, se sua disputa é pelo lugar da frente – você demora a ser revistado e vê as pessoas passando, lindas e felizes na outra roleta, enquanto você tira coisa por coisa pra moça verificar. “E esse espanador, pra quê serve?”. Esses segundos fazem toda a diferença. Ah, eles consideram canetas uma arma, não leve. Também não pode levar FRUTAS INTEIRAS. Adoro.

Não há como correr

As pessoas têm a vã ilusão de que irão correr para a liberdade, lá pra frente do palco, quando a manada entrar. Não é bem assim. Pelo menos em Porto Alegre, havia várias camadas de seguranças, impedindo a gente de correr. Passamos da catraca e logo encontrávamos um cara. Eu tentava dar
aquela corridinha MAROTA e outro cara me segurava. E assim vai. Me senti no Shea Stadium. São Paulo deve ter essa mesma organização, espero, porque isso evita o caos. É super perigoso correr, a pessoa pode cair, ser pisoteada, quebrar o maxilar [minha imaginação é horrível (1 membro)].

Alternativas de lugar

Certo, o portão abriu e você chegou em frente ao palco. O meio está lotado de gente, claro – todo mundo quer ficar no centro, pertinho DELE. Aí, fica a duvida: direita ou esquerda? Acho que rola a direita [nossa direita, não a do PÓL], porque lá fica o piano e ele olha MUITO pro lado direito. Dá pra ver melhor o rosto, O CORPO [tá, parei] DELE, tal. E rola mais fácil uma TROCA DE OLHARES.

Não há como ir ao banheiro lá dentro

Uma vez tendo conquistado seu lugar próximo ao palco, pronto, cabou. Xixi só no fim do show. Ou a rainha da Inglaterra acha que vão guardar o lugar dela enquanto ela vai ao banheiro? AHAM, CLÁUDIA. Não há como, e o povo não te deixa voltar. Há um código de ética muito interessante entre nós, que ficamos na frente do palco, de respeitar os lugares. Não é Ceará Music, que o povo fica passando na sua frente com uma lata de BURN na mão, dançando sem camisa. Na frente do palco cada um mantém seu lugar e, se alguma pessoa lá de trás tenta ir muito pra frente, logo é devidamente xingada e enxotada pela multidão.

Nesse aspecto, Porto Alegre foi uma lição de educação e civilidade. Um beijo para todos de lá.

Presentes pra ELE e merchandising oficial

Em Porto Alegre, cada entrada tinha uma caixa bem grande, para depositar nossas OFERENDAS para ELE. Uma coisa, como bem definiu @fpalacio, bem QUINZE ANOS. Só faltava ter uma foto dele, pra gente escrever em cima um recadinho. Acho super válido levar uma lembrancinha pro NOSSO GATO.

E certamente serão vendidos os produtos oficiais. Sei que a camisa da turnê, que é bem lindinha, foi 80 reais em Porto Alegre. Tinha amarela e branca (não lembro de preta), super usáveis no cotidiano movimentado das grandes cidades. Tinha um kit, dessa blusa mais um livro contendo o programa do show, todo feito com um papel grossinho, que saía a 150 reais. Aceitavam cartão.

Gente, pois é isso. Pra quem vai pro show, BOA SORTE e bom show. Vai ser uma experiência incrível. Depois me contem como foi!

BAIJOS (agora só falo com sotaque português)

David Lynch morning feelings

“José Mayer is now following your updates on Twitter”. Me sinto mais mulher.

Ele é do meu trabalho e pouco falava comigo.
Um dia, sentiu-se à vontade, por algum motivo que desconheço, e puxou conversa.
Tirem suas conclusões.

Ele – Oi. Estava falando com os meninos… Você deve tomar vitamina D em cápsulas, né.
Eu – HEIN?!?
Ele – Olha só pra sua cor. Você nem toma sol. Como faz com a vitamina D?
Eu – Err, enfim, minha alimentação é tão saudável. Vegetais, peixes, flocos de várias coisas. Talvez eu consuma algo que tenha essa vitamina.
Ele – Você não gosta mesmo de sol?
Eu – Não, nem sinto falta. Fico anos sem ir à praia, sem problemas.
Ele – Eu amo sol. Tenho três cânceres de pele por causa disso.
Eu – MESMO?!?
Ele –
Sim. Eu curo um e surge outro. Mas não sei viver sem sol.

Nesse momento, ele ABRE A CAMISA e mostra o pescoço.

Ele – Está vendo essa mancha?
Eu – Err… qual, essa clarinha?
Ele – Sim, é meu câncer.
Eu – Puxa… mas você faz tratamento?

Nesse momento, ele puxa uma cadeira, senta ao meu lado, apóia a perna na minha cadeira e levanta a barra da calça.

Ele –
Você está vendo essas manchas?
Eu – É, tô…
Ele – Pois é, esses dois estão curados.
Eu – Nossa, é um milagre. O tratamento é difícil?
Ele – Não, nem operei. A médica quis, eu resisti.
Eu – Oh, sério? E como eles melhoraram?
Ele – Não contei isso nem pra minha médica, mas tomo dois copos de água assim que acordo. Bebo muito líquido, é meu segredo. Agora você já sabe.
Eu – Ohhh…
Ele – Você deveria fazer o mesmo. E resolver essa sua falta de vitamina D.

E ele sai assim como chegou, de repente.
Então. Chamo os paramédicos, faço um roteiro pro David Lynch, procuro uma escotilha nessa ilha do Lost ou fico calada?

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beatles, glass onion

Como você.

Trabalho em escala Kelvin, sofro em Celsius. Pergunte-me como.

Alfinetar é uma arte tênue, fina, delicada, sutil, fria, perspicaz, perversa, sórdida ou qualquer outra palavra que certamente você aprendeu em alguma trama urbana de Gilberto Braga às nove da noite. Eu, que sou conhecida como uma pessoa que sempre está premeditando ações malignas, tenho tido uma ideia fixa interessante para desestabilizar meus oponentes e conquistar cada vez mais jardas, neste grande superbowl que é a vida.

Trata-se da mortal tática vietnamita #974b, chamada pelos habitantes de Hanói de “método Gyodai da implantação da dúvida”. “Gyodai” porque é vintage e eu gosto de coisas vintage e também porque foi a palavra mais excêntrica que pude me lembrar neste horário. Enfim, apenas eu e Rambo IV conhecemos a tática, man. Consiste em você inocular uma dúvida indissolúvel no sangue de qualquer infeliz que cruzar seu caminho, a partir de uma frase simples e de grande efeito psicológico. É catastrófico, o id, o ego e o superego da criatura vão lutar no gel. Acompanhe esta câmera escondida com Ivo Holanda:

Eu: É, meu querido. Realmente fico chocada com pessoas assim, como você.
Vítima: Como assim? Como eu sou?
Eu: Assim, desse jeito.

E pronto, cai o pano. Saia da sala, não diga mais nada, basta isso para a pessoa perder o sono nas próximas 85 noites, tentando descobrir algo sobre si, em vão. “‘Desse jeito’. Mas que jeito, Cristo?!?!?!”
Infalível.
Ele(a) vai lhe implorar clemência, garoto.

Então você mentalizará apenas uma frase de nosso bat-barraqueiro, Christian Bale: “fuck-sake man, you’re amateur”.

Se isso não for classe, eu sou um cajá.

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manic street preachers, send away the tigers

Caos mental: um pedaço de Saigon

Quando alguém no mundo fala “coca-cola”, eu ganho um dólar.

Hoje, uma Lucy como você nunca viu. Entregue aos seus leitores do Flows, refastelada em uma chaise-longue delicada, consumindo Veuve Clicquot no gargalo enquanto assiste a Twin Peaks.


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Rá. Mentira. Vocês bem que sonharam, hein, Alices?

O lance é que me revoltei. Meu, a gente faz um post pequeno, sabe, faz um esforço de síntese, algo de proporções econômicas em um contexto de crise mundial – e aí, recebe DOIS comentários. Ok, comentários muito bacanas, como sempre, de leitores bacanas. BUT, apenas DOIS comentários no último post! Obrigada, Bruno e Nivaldo, meus queridos E FIÉIS leitores, cujos rÓstos estão guardados em meu camafeu. Hunf. [/chantagem emocional barata] E então, quando eu resolvo escrever textos caudalosos como a Carta Magna, é uma alcatéia, um molho, um bando, uma horda de comentários. Não sei que mágica é essa. [Falando em mágica, mágica foi minha risada quando li a notícia de que os cambistas tavam trocando ingressos da Alanis no show de Teresina por CHICLETES].

Bem, o fato é que, além de ser a devoradora de Mentos Fruit mais rápida do oeste, sou uma pessoa um pouco hipocondríaca. Não, hipocondríaca. Tá, não preciso mentir pra vocês – sou um caso avançado de hiponcondria. “Chondros” significa “cartilagem do diafragma” e isso não quis dizer nada para mim, mas vocês entenderam. Nem sei se o que eu tenho é hiponcondria ou sofro da mesma doença do Monk. Cartas para a redação.

Sou o tipo da pessoa que usa no dia-a-dia um álcool em gel cor-de-rosa para as mãos, que evapora imediatamente e as deixa secas como o deserto, mas com uma inigualável sensação extrema de limpeza e ausência de qualquer microorganismo. Se EU não aguento aquele cheiro forte, que dirá um protozoário, uma planária estrábica insignificante. Quando sinto a evaporação e o frescor, fico mais leve. [= pode ser aplicada a algum comercial de absorvente, essa sentença]. Minha mente é programada para matar e para pensar sempre o pior. Tipo, tosses, dores de cabeça, pontadas no corpo são SINAIS. Eu quero saber se alguém aqui também sente as pontadas. Às vezes nas costas ou nas pernas. Sabe, um PIN!, uma mini-agulhada? Hum. Fico pensando que, claro, pode ser um reposicionamento dos meus órgãos internos, um mal-jeito por ter dormido errado, mas pode ser ALGO. Sabem, né? ALGO. Então.

[Sei que vocês estão me achando louca. Essa semana, no twitter, cismei que “o pedaço de Saigon” da música do Emilio Santiago (um pontinho amarelo no palco, ao lado de Elba Ramilho) era um PEIXE. Tá, Saigon é uma populosa cidade do Nam (adoro os veteranos de guerra americanos chamando o Vietnã assim. tipo, nunca vi Tommy Lee Jones falando v-i-e-t-n-ã, mas sempre NAM). Mas Saigon não parece um peixe também? Um filé de Saigon? Eu acho, tá. Me deixem com minha crença.]

Lembrei do assunto da hiponcondria porque conversava com Mary, minha nova colega de trabalho, e contei a história da psoríase. Pensei que eu gostaria de compartilhar com vocês, porque foi engraçada. Lógico, engraçada DEPOIS que passa – assim como a história de algum tombo em que você quebrou o braço em três partes e em seguida sua mãe ainda lhe deu uma palmada, pela desobediência de ter se machucado. [Nunca entendi essa lógica. E não, mamãe não é assim.]

Tá, a história.

[violinos] Como sempre, era verão em Fortaleza. 2005. Eu estava com dois empregos, dois cursos de idiomas, fazendo projeto pra entrar no mestrado e absolutamente estafada, com dois semi-círculos roxos permanentes abaixo dos olhos. Minha pele começou a somatizar o estresse e apareceram ecas em mim, não, não exatamente ecas úmidas como todas as ecas, mas eram lugares no pescoço que coçavam pacas e ficavam vermelhos. Era um nojo. Mas era uma irritação proveniente de estresse, que surgia atrás do pescoço sempre que eu me aborrecia e estava cansada, aumentando na proporção do calor [/violinos].

*a quantidade de fotos de pílulas lindas em alta resolução no Google Images é um fenômeno a ser avaliado.

Pois bem.
Procurei um médico, procurei dois médicos. Procurei uma terceira opinião. Todos me disseram a mesma coisa, que era estresse, que minha pele é saudável e normal, sardenta, ok, mas normal, e que eu estava cansada e somatizando. Eu dizia “doutor, ok, pode me dizer a verdade, estou preparada, não sou nenhuma criança, diga, diga a verdade”. Porque, na minha cabeça oca, era óbvio que eu tinha uma coisa grave. E o pobre do médico – sobrancelhas brancas muito juntas, um semblante bondoso, um olhar penalizado – quase me encaminhando para outro especialista [que, por sua vez, iria me encaminhar, amordaçada, para o quartinho branco de paredes acolchoadas mais próximo]. Tipo “querida, conheço um psiquiatra que fará milagres com você com seu método de choques elétricos”. Eu sentia alguma satisfação em usar os remédios e as pomadas, mas via que só aquilo não tava resolvendo.

Gente, eu só queria a verdade.

Pausa: quando vocês querem saber a verdade, THE TRUTH, o que fazem?

a. perguntam para a mamãe ou algum adulto responsável.
b. perguntam para algum padre ou rezam esperando alguma iluminação.
c. perguntam para a orientadora do mestrado.
d. jogam runas, tarô, i-ching.
e. assistem de novo ao Star Wars.
f. morrem com a dúvida.
g. jogam no google.

fiquei com o item ‘g’ e fiz como todos os meus contemporâneos. Joguei no google os meus sintomas. Não sei como não vim parar no meu blog, já que aqui é o receptor de diversas dúvidas peculiares que inquietam os seres humanos. Estilo “como montar um cachorro gigante de papelão para meu sobrinho”, entre outras. Mas então, joguei meus sintomas. Em português e inglês. Vera Fischer, que está parecendo uma pessoa num negativo de foto, com aquele bronze insano, deveria ter feito o mesmo. [ver também: “galeto”, “câncer de pele”, “envelhecimento avançado graças à excessiva exposição ao sol”]

Lógico que a minha busca abriu janelas para uma miríade de possibilidades terminais, minhas ideias devastadoras se multiplicavam como mitocôndrias. Caí em um fórum da Califórnia, de pessoas portadoras de PSORÍASE [quase o nome daquele grupo de axé, o Psirico], com depoimentos que me animaram HORRORES.

“Meu nome é Kevin, sou de Cloverdale, tenho 38 anos. Há 20 sofro de psoríase. Começaram como coceiras, placas vermelhas no pescoço e nas juntas, que em poucos meses se alastraram por todo o corpo, inclusive na face. Oh, hoje perdi minha vida social, meus amigos, minha esposa. Não há cura e todos se afastam e têm medo de mim”, etc etc etc.

Bastou ler isso – e ver algumas fotos de peles tão medonhas que beiravam a vanguarda – para eu ter uma crise na minha bolsa de valores. Liguei aos prantos para mamãe.

Eu só queria a verdade.
A VERDADE.

– Alô, mamãããããããe….!!
– Filha? Que foi?
– Mãe, eu descobri, eu tenho psoríase!!
[aí escuto um “ai meu deus” bem baixinho, impaciente]
– Filha, calma. Onde você está?
– No trabalho. Vi na internet pessoas que têm os mesmos sintomas e que perderam a vida sociaaaaaaaaaaaaaaaal!!! [lágrimas, lágrimas]

Nem preciso dizer que fui de novo ao médico e ele tipo RIU da minha cara, quando eu falei em psoríase. Fail. E não era nada, lógico, era só estresse e hoje “levo uma vida normal”, tal. Me senti uma estúpida, coroada, pra todo mundo ver. E quem disse que eu mudei? Continuo nessa vibe, usando meu álcool rosa e inspecionando a comida detalhadamente.

Na verdade eu nem sei como terminar esse texto, de tanta vergonha.
Mas eu não deixo de contar uma história engraçada por nada.

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franz ferdinand, you could have it so much better

Meu primeiro barraco.

em um programa sobre luxo, tinha um cara que ia construir uma casa na região da sardenha. ele dizia: “quero morar como os antigos camponeses” e mandou fazer a casa toda em pedra, com uma varanda imensa que tem uma jacuzzi fabulosa. é, esses antigos camponeses sabiam viver.

adoro notícias “do Brasil e do mundo”. falei.

Nem terá muito prelúdio, o texto de hoje. Porque eu tô nervosa, tira a mão de mim, eu tô calmíssima. Grrrrrrrrr.

Após um jantar LOOOOSHO, com companhias LOOOOSHO, em um restaurante com heliponto LOOOOOSHO [ok, não usamos o heliponto, mas a presença de um deles contribui para o contexto de glamour], eis que acordo no dia seguinte com… sons de marretadas. Eu, ingênua e bucólica, julgava que 2008 já tinha fechado a conta.

BUT NO.

[SÉPIA] Desde tempos imemoriais, o apartamento de cima tá em obras. Sério, até postei sobre isso, years ago. Sério, era MAIO do ano passado. [/SÉPIA] O lance é que hoje eles tavam quebrando os recordes mundiais e estavam quase chegando ao meu quarto, tamanha a violência com que eles batiam. Comecei a ficar com medo, reclamei com a mamãe. Eu não sei o que um pedreiro visualiza, pra encontrar tanta satisfação ao demolir uma parede. Se eu fosse sogra deles, andaria com um ramo de arrudas imenso, incorporado ao penteado.

Quem me conhece, sabe que eu sou delicadinha e tolerante ao extremo. A comida do restaurante tá ruim? Peço outra ou vou embora, na boa. A pessoa me entregou uma coisa fora do prazo? Não vou brigar pelo passado, it’s ok, vamor ver o que é possível fazer. Os chefes gritam no celular? Imagino diversas frases grosseiras, tipo “Não é mais prático você sair na esquina e urrar?”, mas coloco meu ipod no último volume, com sons da natureza. Pronto. Tipo, eu fujo do cajá e do stress, sempre. Desafio as leis da física, diante de tanta paciência abrigada no um metro e pouco de meu ser. Então, para chegar ao ponto de eu sair da minha casa no dia 30 de dezembro pra fazer uma reclamação e armar um barraco com desconhecidos, é porque a coisa TRANSCENDEU. Era a linha tênue entre a reforma e a destruição. Nem a mensagem de fim de ano da Globo poderia me demover da idéia de resolver a situação no grito e na raça.

Eu bati à porta do vizinho de cima com tamanha violência, que o pedreiro podia pensar que era o Thor, com 1,90m, luvas de boxe, irritado. Ou o Jack Nicholson, com um machado em punho. Quando ele abre, era EU, mó cacheadinha, mas com a cabeça fritando no óleo quente do ódio. Aí eu BERRO:

– O QUE TÁ ACONTECENDO AÍ? EU QUERO SABER! [50 decibéis]

E saí entrando no apartamento, até o cômodo que corresponde ao meu quarto. Outro cara tava fazendo aquela prospecção de pré-sal, derrubando o muro de berlim, aquele completo escândalo, só pra trocar O RODAPÉ do lugar. Eu BATI PALMAS, à la Coringa, e ele parou o serviço e olhou para trás. Perguntei se ele sabia que havia uma família de cinco pessoas [o Elvis está incluído, lógico] TENTANDO morar no apartamento de baixo. E ele, com aquela malemolência típica de pedreiro e aquela risadinha marota de canto de boca, respondeu que “sim, senhora”. E eu gritei de novo:

– POIS NÃO PARECE! [60 decibéis]

E saí explicando, andando pela casa alheia, cheia de cimento e fiação espalhados por toda parte, que eu tava reclamando era da intensidade das batidas e não das batidas ou da obra em si. Disse: ‘olha, ano passado o piso inteiro da minha casa foi trocado, os rodapés também, a gente ficou no apartamento de baixo e jamais escutamos marretadas como essas dos senhores. Um carnaval desses, pra remover um rodapé? Vocês aprenderam a fazer obra aonde???’ [70 decibéis]

Aí o cara retruca:

– Mas é o nosso trabalho, o que a senhora quer que eu faça?

Ele fez essa pergunta umas oito vezes, e eu respondendo que tava reclamando era da intensidade das batidas e não das batidas ou da obra em si.

Na nona vez, eu perguntei:

– O SENHOR QUER QUE EU DESENHE NUM PAPELZINHO, QUE EU NÃO ESTOU RECLAMANDO DA SUA OBRA?? [80 decibéis]

Aí ele jura que não tava batendo forte e que, SE APARECER UMA RACHADURA no meu quarto, que eu o chame.

– RACHAR?? SE RACHAR MEU IMÓVEL, EU CHAMO É A POLÍCIA! O SENHOR NÃO SABE DO QUE EU SOU CAPAZ! [quebrou o medidor de decibéis]

Eu devia estar tão vermelha quanto o cenário do programa da Marcia Goldschmidt. O vermelho é a cor dos paninhos que atiçam os touros. O vermelho é a cor que simboliza o barraco na numerologia, nas runas, no tarô. Quando me dei por satisfeita, saí e deixei o cara falando sozinho. E ele colocou a cara pra fora da porta e falou:

– Vaaaaai, menina MAL EDUCADA!

[pôr-do-sol no velho oeste, começa a ventar, tufo de mato passa e eu risco a faca]

– COMO É QUE É? [90 decibéis]

E ele teve a PETULÂNCIA de repetir. E eu gritei:

– FELIZ ANO NOVO PRO SENHOR, PASSAR BEM! [100 decibéis]

Meu, que ódio. Saí pisando forte, derretendo de tanta ira, robótica de tanta tensão. Nem massagem de pedras quentes rola fazer, nesse calor, nesse ritmo quente. Grrrrrrrrrrr.

Mentalmente, desejei sete hemorróidas a todos eles – é o numero de letras do meu nome.

Certamente, vocês não me reconheceriam.

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cooper, ola de calor

Evaporando, literalmente

Dormi na Terra e acordei em Marte. ou é só impressão?

Dante repensaria seu conceito de inferno após uma temporada em Fortaleza, neste dezembro magmático que nunca acaba. Acho que a criogenia é a melhor solução. Prefiro dormir e acordar só quando tudo isso tiver terminado.
Durante o “heat of the moment” [hehehe, não sei como lembrei dessa música do Asia e adoro esse título. Ou é do Europe, Chicago ou Kansas? Alguma banda-local, anyway. consultem seu gps, obrigada], só consigo sonhar com comerciais de creme dental e refrigerante, com pedras de gelo caindo em copos que contêm mais pedras de gelo e pessoas correndo de jet-ski, sorrindo em meio aos pingos de água, ao som de ‘ahhhh’. De repente chove, neva e cai granizo ao mesmo tempo. E eu estou boiando em uma grande piscina de suco de tangerina com abacaxi gelado, que desmboca nas cataratas do niágara, em algum grande resort com bangalôs de cores cítricas e igualmente refrescantes. Então apareço repousando em uma cama com recheio de sorvete de limão. Estou com rodelas de pepino sobre os olhos e toalhas molhadas pelo corpo. Após quinze halls pretos simultâneos, me desintegro em meio a tanto frio.

Se alguém me acordar deste sonho abaixo de zero, eu cancelo o blog.
Isso é uma ameaça, man.

[…]

Momento retrospectiva. Neste ano interessante, me hospedaram em um dos spas mais chiques do hemisfério sul, viajei de jatinho bimotor, me hospedaram em um rizóóórt em Natal por uma noite, virei mestre, aprendi a fazer omelete com presunto e conquistei minha independência gastronômica, conheci a mistura dos esmaltes vermelhos maçã do amor + escarlate, fui a final do campeonato mundial de motocross freestyle no estádio de futebol e descobri a bala mais perfeita que esta geração já conheceu, a Butter Toffees Chokko, da Arcor. Inclusive, ao pesquisar sobre o presente toffee, encontrei a frase:

“Os toffees surgiram na Europa no século XIX e logo conquistaram o mundo devido ao seu apurado sabor, à sua maciez e ao seu característico formato irregular.”

Eu não sabia do fascínio exercido pelos característicos formatos irregulares. Mas, sei lá, é nos menores formatos irregulares que estão guardados os melhores sabores. Ou algo do tipo.

[…]

E vocês sabiam que 31 de dezembro terá um segundo a mais? Droga, avisam tudo em cima da hora, nem me deram tempo pra plenejar melhor o que fazer com esse tempo extra. Acho que vou fazer um curso.

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bajofondo tango club, pa’ bailar

Copy, right?

Fico constrangida com as mulheres da propaganda do Activia, cantando “hoje sou feliz e canto só por causa de você”, ao lado da inscrição “nove dias”.
Ou: Chinese Democracy ganha a corrida contra o Chatô.
Ou ainda: Juram que o SACI é aspirante a mascote da Copa de 2014?
Ou still ainda: Impressão minha ou esse calor de Fortaleza é o prelúdio do juízo final? Tags: inferno, sol, calor do cão, sol, suor, sol, raios, sol, árvores imóveis, sol.

Aham, o título do post de hoje passa a léguas da originalidade. Mas relevem – tô super destreinada em escrever pro blog e isso não é como andar de bicicleta. Se bem que aposto que vocês também estão super destreinados em ler o meu. Hohoho. O empate é o melhor resultado no momento, desde que não seja no jogo SÃO PAULO x FLUMINENSE. Hunf. Enfim. O lance é que estou num processo de colagem dos meus caquinhos, após o traumático e feliz fim do mestrado. Tipo, é chegado o momento de procurar um sentido para a vida neste mundo perdido, onde os panetones com gotinhas de chocolate custam o mesmo preço de um DVD com frete.

– Venha para a luz, Querolaine!

[Vi, em um grande empório delitália de minha cidade, um panetone absurdo, de MILÃO, que custa mais de cem reais. Fiquei tão emocionada com esse espírito natalino, yadda, yadda, yadda]

Pois então. É em pleno processo de recolagem dos caquinhos de cristal de Murano de meu ser que descubro que meu blog está sendo toscamente copiado. Aliás, copiado não, porque se fosse cópia, seria minimamente legal, acho. Não me corrijam se eu estiver errada. Mas é tipo um plágio mesmo, de expressões, de palavrinhas, de idéias, temáticas e até de formatos. Chega a ser constrangedor. Chamarei a pessoa pelo nome fictício de Gloriosa. E, se até uma pessoa ridiculamente desatenta como eu notou, é porque a coisa RELUZ.

Então, ainda em dúvida, mostrei para umas três pessoas. E a unanimidade, que é inteligente neste caso, ficou toda chocada. Não existe nenhuma linha que separe plágio de influência, ali. Evidentemente, não discutirei direitos autorais, nem farei aquele barraquinho, aquela celeuma básica, aquela luta livre no gel, em que se cola um printscreen ao lado do outro e se faz toooodo um discurso para fazer a denúncia para o, sei lá, vento leste, que não tomará providências e me deixará esperando feito um coqueiro verde. Deixa pra lá, né. A Gloriosa deve ter só aquele blog para se divertir e não serei eu a tomar a bola e acabar com o jogo, volte dez casas, coisa do tipo. Quem sou eu, né.

Como vocês podem ver, ando meio resignada e venho me distanciando de discussões inúteis e da excessiva exposição na internet por pura falta de paciência com alguns comportamentos humanos [= velha]. Um combo de certa preguiça misturada com intolerância e uma coleção de pensamentos subversivos que envolvem o twitter. Não sei qual é o meu problema, mas ele é meu. Essa é a minha vida, esse é o meu clube [adoro esse comercial, meu sonho fazer um desses, sendo paga para caminhar na estrada desabafando].

– Então, Gloriosa, não lhe desejo varizes. Te perdôo. Vai que sua mãe te deixou cair do berço, vai que o médico te puxou pela orelha no parto e você é assim hoje. Deve usar frases de efeito no MSN, com mensagens cifradas from hell e que não querem dizer oficialmente nada. Tenho vontade de abraçar você, até fazer “nhon”. Fica a menção.

Aff. Eu e minha mania de não conseguir ir direto ao ponto. No jornalismo, os rodeios do começo do texto se chamam “nariz de cera”. Imagine o que temos até agora – se colocarmos os narizes de cera desta tarde lado a lado, dariam uma volta ao redor da terra; encheriam um maracanã; empilhados, chegariam à Lua; acesos, se transformariam em velas que preencheriam a basílica de Aparecida; derretidos, depilariam Tony Ramos. É que o post não é sobre a recém-descoberta cópia do Flows, mas sobre que tipo de imagem ando projetando por aí. A Gloriosa curte passar uma idéia “oh, como sou fresca e lânguida, gosto de coisas com cheiro enjoativo de morango, porque acho isso feminino. mas sou culta, gente, pelamordedeus, eu adooooro ler e asistir a tv culturaaaa”.

Daí, imaginei: será que o povo acha isso de mim? Pensei: se ela quer me copiar e se comporta assim, LOGO, eu transmito essa imagem. Tipo, será que acham que eu sou fresca e inteligente? Nhém-nhém-nhém e leitora? Será que eu represento uma dondoca sebosa e afetada? Será que passa pela cabeça de alguém que eu gosto de cor-de-rosa ou da linha artística da Colorama? Minhas tags não têm nada a ver com isso, acho que sou mais profunda, sei lá, pelo menos costumo ser. Meus sonhos são simples, sabe, são tipo ter um programa com sorteios e eu ficaria sobre uma grande pilha de cupons, ganhando uma chuva de cartas.

Obviamente, eu adoraria – por uma semana, não mais – ser uma completa mulherzinha, trabalhar por lazer e sair no meio do dia para mergulhar no mar, chegar em casa e ficar imersa em uma jacuzzi com produtos L’Occitane. Mas eu não sou a pessoa que a Gloriosa pensa, não há um universo de breguice orbitando a meu redor, com Celine Dion ao fundo, em loop contínuo. Fail.

[…]

Mas esse pequeno case da, err, “releitura insalubre” [/educadinha] de meu blog, é só um exemplo.

Porque, a cada natal e aniversário, voltam o medo e a apreensão acerca do que as pessoas dizem ser a “minha cara”. Ultimamente, os amigos têm acertado em cheio, mas já ganhei coisas muito deslocadas num passado não muito distante, como livro de Paulo Coelho, cd de banquinho + violão ou, pior, FLORES. Até minha mãe vacila, comprando roupas que me causam uma estranha emoção [ha].

Ato único: Um dia, mamãe viajou e voltou com uma calça jeans linda pra minha irmã e um osso inflável pro Elvis – e, pra mim, uma blusa com CORRENTES desenhadas na região do pescoço, arrematadas por um CADEADO. Não, não entendi a piada. Há alguns anos, ela deu pra minha irmã uma blusinha com um chinelinho desenhado na frente – e tirinhas de borracha REAIS. Não sei qual é a da mamãe, com essas propostas 3D, mas o fato é que ela tem uma percepção um tanto conceitual da gente, no quesito moda.

Outro dia, estava no shopping com umas amigas, fazendo um tour pelas lojas de cosméticos, investindo nosso dia em novas aventuras. Resolvemos dar chances aos talentos out of mainstream e entramos naquela Akakia, pra ver coé, tal. Porque, nesse mundo dos cosméticos, se a gente descobre algo fabuloso e barato, ficamos absurdamente felizes. Ainda mais na atual conjuntura, em que até a Natura tem me desapontado, principalmente após seu recente lançamento para cabelos ressecados, com princípios ativos de aloe vera e TAPIOCA. Google it. Sim, então. Entramos na Akakia – um nome que já agrega 50% de possibilidade de levar a uma escolha errada – e a vendedora era daquelas que fazem a íntima. Ela disse: “Você vai A.M.A.R. esse hidratante, sua cara” e me passou uma boooooa porção no braço. Fiquei com um cheiro de quenga incrível, era um treco à base de bala maluquinha com cidra [a embalagem acusa “morango com champagne”, acredita quem quer, né] que me dava enjôos e fiquei pensando “mas eu tenho cara de quê mesmo?”. By the way, o nome do hidratante era Crazy. Adoooro. E, sobretudo, era um ritual de adoração ao alérgico, foi um prazer sentir aquele cheiro forte em mim. O namorado da vendedora deve amar aquele cheiro também e certamente trata-se de um exemplar com alma de mocassim e espírito de gola canoa.

Outra coisa que me fez desacreditar a marca, além de produtos com aroma duvidoso, foi a dica encontrada na página 21 da revistinha que eles distribuem na própria loja: “para não borrar o rímel, seque os cílios com secador de cabelo”. WTF.

Há outros casos extremos. Lembro de um aniversário em que recebi um presente dos mais inusitados. Quem deu foi um grande amigo meu hoje, mas que na época tinha acabado de chegar a Fortaleza e ainda não me conhecia muito bem. Ou seja, foi um presente a partir de uma impressão inicial. Além de maquiagens, cremes, livros, um bloquinho e DVDs que de cara eu já ia amar, esse meu amigo me deu o filme Oldboy.

Vejamos o que Wikipedia diz sobre ele:

“Oldboy é um filme coreano, baseado em um mangá. Impossível de se definir em uma única frase, o filme consegue unir em 119 minutos, questões como vingança, amor, ultra-violência, o tempo, a crise da vida moderna, a hipnose e obstinação, tudo isso envolto a tabus sexuais. […]
Tudo no filme possui agressividade. A face dos personagens, as cenas de sexo e até mesmo a cena do restaurante, que Oh Dae-su come um polvo vivo, sugerem ou explicitam a violência, que também aparece em constantes cenas com todos os tipos possíveis de mutilação, física e mental.”

Ênfase em “ultra-violência”, “cenas de sexo”, “polvo vivo” e “todos os tipos possíveis de mutilação”.

Err, pois então. O pior é que não achei o filme ruim, muito pelo contrário – é tão bacana que até o Spielberg quer refilmar, com atores americanos e tal. Lembra Tarantino em algumas coisas e isso também é bom. É impactante, enfim. Mas o que levou esse meu amigo a, em meio a tantas opções de DVDs neutros e amenos, escolher logo o Oldboy pra mim? Posso dizer que, depois de ver o filme, fiquei tipo entre risos e choques.

Mas enfim, a conclusão do post é feliz, conflitos à parte. Um lance introspectivo meio Gorpo, no fim de cada episodio de He-Man, com uma lição de vida. O ser humano reúne uma diversidade de gostos e jeitos de ser que despertam impressões diversas nas pessoas e aí reside a beleza da existência e… pff, chega. Foi mal, se alguém esperava que eu terminasse o post contando a true story sobre minha personalidade e minhas novas aquisições musicais / intelectuais / gastronômicas / fashion. Imaginem se eu ia dar esse mole pra turma da cópia, hein.

E, sabe, sinceramente… acabei de chegar a uma importante conclusão, depois de escrever esse texto todo – só me importo com pensamentos a meu respeito que venham dos amigos, do namorado e da família. E pronto. Como diz uma de minhas frases preferidas de novela: “sou maior de idade, vacinada e pago minhas contas”. Adoro “vacinada”.

E vocês dois, que chegaram até o final aqui, entenderam.
A primavera sorri e o amor floresce no coração.

Tô destreinada pacas, pra escrever. Nem terminar o texto com dignidade eu consigo, mas nunca pensei que um post, depois de tantos meses, pudesse render TANTO.

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tchu dê lê, tchu dê lê, beyoncé

Dica estrogonoficamente sensível

Para refletir: Será que o Faustão tem sonhos?

Se você, amiga dona-de-casa, é uma dos felizes proprietárias de uma picape Toyota Hilux ou do utilitário esportivo Hilux SW4, fabricados entre janeiro de 2006 e maio de 2008, atenção.

A montadora convoca os usuários a fazerem a verificação da porca superior de fixação do conjunto de articulação da barra estabilizadora da suspensão dianteira do veículo.

Recapitulando:

porca
superior
de fixação
do conjunto
de articulação
da barra estabilizadora
da suspensão
dianteira
do veículo

Ahhh, tá.
Não entenderam?
Oh, que criaturas mais limitadas, vocês.
É uma coisa tão assim, óbvia.

Bom, eu acho que vocês deviam prestar atenção nessa notícia, pois a sobrinha da amiga da cunhada da prima da avó da tia do vizinho da sogra do porco de estimação da professora de uma colega minha acordou um dia na banheira de gelo, sem um rim.

nota mental

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jack nitzsche, the last race