Podem tocar CARMINA BURANA, porque 4597439 anos depois (não digo o tempo real para NÃO REVELAR A IDADE), volto a conjugar o verbo TO  POSTAR NO BLOG. Não sei se é um retorno definitivo, porque hoje em dia nem permanente é definitivo (reflitam), mas é o que tem pra hoje. O que mudou em mim? Bom, continuo ruiva, ainda sou prolixa e ando com uns vícios de linguagem do twitter, tipo enfatizar com caixa alta; o que é ODIOSO, mas me aceitem do jeito que sou, beijos.

O tema de hoje, claro, é PÓL. PÓL McCartney. Aprendi que se pronuncia Paul como PÓL – e não como POW – com meu namorado americano e com pescoço, o famoso PÊ PONTINHO. Claro, sempre que falo no Paul, digo POW, pra não chocar as massas. As pessoas sempre estranham se você fala inglês correto, te julgam boçais, “olha ela, querendo se amostrar”, então falo errado de propósito. Até porque, só falando POW é que funciona a piada horrível e ótima (reflitam) do “John Lennon está? Não, foi PAUL MCCARTNEY no correio”.

Sim, mas meu RECORTE [vida acadêmica mode ON] é especificamente o show DELE no Brasil. Por enquanto, não contarei como foi o meu em Porto Alegre. Quem sabe um dia, quando eu conseguir assimilar e compreender a experiência. Juro, fiquei umas cinco horas sem dormir depois do show, pensando se haveria sentido na vida depois daquilo. Porque nunca mais vou viver uma felicidade daquele tamanho. Aquilo é o extremo, até porque TROCAMOS OLHARES. Quando eu conseguir o cabo da câmera, postarei para vocês esse momento lindo, além de meus gritos guturais durante os fogos de Live and Let Die.

Perdi totalmente o timing da postagem, não consigo entrar no assunto. MAS PERAINDA. Estou aqui para ajudar as pessoas, porque tenho responsabilidade social, tenho certidão de nasciumentuuu e sou cidadã. Vou compartilhar algumas dicas BABADO para você, amiga dona de casa, que pretende enfrentar o show como uma experiência modificadora, um caminho de santiago de compostela do rock, uma transformação profunda.

- Sim, estou falando com você (olhos nos olhos) que vai para a pista Premium e deseja ficar FACE TO FACE com ELE.

Aprendi muito em Porto Alegre, muito. Foram 11h30 de espera, da hora que cheguei ao estádio até o momento em que as luzes se apagam e tal, COMEÇA. Libido, magia e sedução no ar, quando ele adentra o palco, LINDO, como nos meus sonh… Tá.

As dicas abaixo, embora aprendidas em Porto Alegre, podem ajudar quem vai para São Paulo, enfrentar longas filas e desejam TROCAR OLHARES com ele também.

Comece não bancando o espertão na hora de pegar os ingressos na bilheteria

Se a organização do show solicita amigavelmente para você levar o RG, o cartão de crédito da compra, o voucher, uma calcinha e um bonsai, OBEDEÇA. Embora seus amigos comentem que não precisaram de nada (“A moça da bilheteria olhou nos meus olhos e entregou”), vai que você pega um atendente exigente. E aí, você vai mesmo colocar seu show em risco? Não custa nada ser prudente e humilde NA VIDA. [tapa na cara da sociedade mode ON]

Leve água, muita água

Em Porto Alegre, um copinho custava TRÊS REAIS, muito justo #NOT. Meu povo, bora cuidar do meio ambiente, senão no futuro todos os copinhos do mundo custarão esse preço e aí, como vai ser? Nossos filhos e netos, tal. Então, é altamente sábio comprar no supermercado aquelas garrafas maiores e levar, tipo umas três, até mesmo para lavar as mãos eventualmente. Um isopor ajuda a manter tudo mais geladinho, mas ele tem que ser abandonado ao entrar no estádio. Desapego, meu povo. Você não precisa de um isopor pra viver, forget it. Ah, a gente conseguia entrar no estádio só com garrafinhas menores de água, uma coisa “consumo próprio”. E garantir seu suprimento de água é uma boa se você vai querer ficar na frente, como eu fiquei (AHAM, AHAM) – os vendedores dificilmente chegam até lá, porque as pessoas ficam num esquema tão compacto que os caras não passam.

Câmera

Bom, sou a paladina da prudência e da não-ousadia nesses momentos. Se o ingresso diz “Permitido câmera amadora”, então mostre que sabe ler, contente-se com sua cybershot e seja feliz. “Ah, mas eu vi gente com câmera profissional”. Eu também vi, em Porto Alegre tinha uma moça na minha frente, balançando o que deveria ser o telescópio Hubble. O problema, meu querido (voz do Capitão Nascimento em Tropa de Elite 2), é que existe a Lei de Murphy. Vai que a pessoa não te deixa entrar com a câmera e #taíteubrinde. Exercita agora o desapego com a tua Nikkon, que eu quero ver.

E, de boa, acho meio chato quem filma o show inteiro e depois assiste em casa. Não atirem tomates, é só uma opinião. Filmem uma ou outra coisinha, a menos que vocês estejam com uma credencial escrita IMPRENSA.

Lenços umedecidos

A descoberta do ano, prêmio Pulitzer de melhor utensílio para shows, prêmio Jabuti de melhor invenção da humanidade, prêmio Shell de inventividade, nota 10 e meio pela harmonia e enredo no carnaval carioca. São geladinhos, versáteis, comportados. Isso me salvou. De cara, eu ia morrer de HIPERTEMIA [inventei agora] debaixo do sol de 37 graus de Porto Alegre. Trinta e sete fucking graus. Ok, em São Paulo dificilmente chegaremos a tal ponto, mas há uma série de outras vantagens. Eles são ótimos pra levar ao banheiro quimico – um teste de resistência a mais para as mulheres, servem para limpar as mãos, para deixar o pescoco geladinho, para aliviar o calor nos pés e até para colocar por baixo da blusa, na barriga. Uhhh… Você se sente no comercial do Kolynos, andando de jet ski.

Tênis sempre

Acho sapatilha sempre ousado, embora o argumento “conforto” e “beleza” seja tentador. O problema é que se o Paul gritar “Tira o pé do chão” (e o português dele está cada vez melhor), a galera PIRA e você provavelmente perderá a sapatilha na confusão. ADEUS. Uma dica TUDO é ir com algum chinelo muito barato e levar o tênis com meia numa sacola, pra colocar só na hora de entrar no estádio. Faz a diferença, porque o pé esquenta demais depois de dez horas seguidas.

Roupitchas

Calça, ponto. A gente fica sentado na fila, se suja, rola na lama, ficamos imundos e felizes. Eu jamais ficaria de perna de fora ali, DE BOA. Mas isso é de cada um, uma menina em Porto Alegre foi de short e meia-calça preta – chegou fashion e terminou #todacagada, mas ela tava relax. A blusa deve ser comum, normal, nada muito frágil, tipo “Irei com essa blusa de GUIPURE do século XIX que herdei de bisvovó e é de estimação”. Não, tem que ir com roupas que você não tem apego e que poderá, eventualmente, descartar depois do show. Nos Rolling Stones, por exemplo, minha calça e minha blusa foram perda total, deu uma chuva lá e ficaram manchadas. Inclusive, bora torcer pra não chover, porque um monte de cabelo alêi gruda no seu braço, quando se está em uma multidão.

Cabelo

Acho legal sempre ter liga e grampo pra fazer um coque e não ficar com cara de monstro, toda desgrenhada. O Paul merece gente feia na plateia? Não, não merece. Boné é algo que não uso, mas pode ser uma boa. Ou então assuma o messy hair, que Marco Antônio di Biaggi ama.

Make

Evitaria coisas nos olhos, inclusive óculos, hehe. Meu lápis borrou todo porque chorei muito. MUITO. Mas tenho um dilema na vida, preciso usar lápis pra marcar o lugar do olho no meu rosto, porque é tudo muito claro e ninguém vê. Não, não me lamentar agora lembrando das discriminações sofridas na infância. Se você pode dispensar o lápis, ótimo. Acho válido rimel à prova d’água e um batonzinho pra hidratar ao longo do dia. Base, corretivo, blush, tudo é meio que dispensável a meu ver. Se nascer uma espinha imensa na ponta do seu nariz no grande dia, confeccione uma máscara de papelão. Ana Maria Braga disse que você pode vendê-la por 134 reais.

Comidinhas

Vale levar barra de cereal, chocolate (ficam bons geladinhos, num isopor com a água), biscoito salgado. TEM QUE COMER. Tanto coisa salgada como doce, pra garantir a glicose a pressão arterial. É puro preparo fisico! Na hora de almoçar, consegui encarar só um cachorro-quente. Não tinha como comer comida-comida no calor que passei. Enfim, procure algo leve, sem molhos (MÓLHOS) e tal. Para quê ousar?

Sombrinha e capa de chuva

Em SP é básico levar um guarda-chuvinha barato. O mais barato e fuleiro que você achar, porque novamente terá que exercitar o desapego e abandoná-lo antes de entrar no estádio. Mas leve, custa nada. Pra se proteger tanto do sol como de uma eventual chuva. E como algo me diz que vai chover no show, bora comprar capa de chuva, pra não inutilizar sua roupa e a dignidade brilhar até o fim.

Protetor solar

Não faça como eu, que ESQUECEU o protetor em casa, só passou antes de sair e se lascou, quase pegando uma insolação (obrigada a quem perguntou, minha pele melhorou já no dia seguinte). Vou jogar uma praga pra quem esquecer o protetor: USARÁS UMA MANGA AVULSA ESCRITO “HONDA” E ANDARÁS DE MOTOCA NA WASHINGTON SOARES EM 2011.

Almofada

Tinha gente levando banquinho ou cadeira de praia (oi?), mas prefiro melão, aliás, almofada. Ou mesmo uma esteira de praia, que é fininha e prática de carregar, pra você ficar sentado durante toooodo o dia com conforto. Meu povo, em Porto Alegre a galera tava vendendo PAPELÃO e o pessoal comprava, pra sentar em cima. Querem algo mais OSSO que isso? O bom da almofada é que pode entrar no estádio e você fica sentada um pouquinho antes de começar o show. Na grande hora, coloquei a almofada numa sacola de plástico, que levei pra isso, fiquei com ela no ombro o show inteiro e foi tranquilo.

Analise seus objetivos

Acho que a grade é o objetivo de todo o Brasil, certo. E o povo de São Paulo é o mais desesperado em matéria de show, certo. Se em Porto Alegre tinha gente dormindo na fila desde QUINTA [o show sendo domingo, hein] para ficar na frente, imagino o esquema de São Paulo.

Sei que o desespero é grande, mas pode ser que a criatura não seja atleta e fique cansada demais ou até passe mal, deixando de aproveitar o show com
dores, SUJO, sei lá. Acho que a prioridade deve ser curtir, pelo menos era a minha. E, se você tá na prime, vai ficar num lugar ótimo, no matter what.
Acho que o limite é o que eu fiz, chegando 11h, 12h antes do show. É limite mesmo. Pensei que fosse desmaiar, até porque você fica cansada, é um aperto, muito tempo em pé. Fiquei umas 6h sem liquido, foi horrível.

É louco, mas o sacrifício compensou, fiquei tipo com quatro pessoas na minha frente. Dava pra ver a grade. VER A GRADE PODE SER A NOVA META. E a visão era perfeita. Paul consegue olhar o pessoal que está a essa distância; já o povo da grade não é muito visto porque fica uma luz na cara dele que dificulta – e artistas não olham pra baixo. A grade ainda tem o problema de apertar as costelas, prejudicando MUITO a respiração. Quando fui pros Rolling Stones e pro U2, fiquei na grade e depois senti uma falta de ar incrível. E máscaras de oxigênio não cairão. Enfim, não tô aqui depreciando a grade, porque ela é ótima; estou só falando que há outras
possibilidades de ser feliz. :)

Que hora chegar?

Tá, resumindo. Se vc quer ficar na grade, o que está fazendo aí, lendo esse post? Vai ter que dormir na fila um ou dois dias. Se quiser apenas pegar um lugar bom e muito perto, tipo eu, chega as 8h da manhã. Se quiser SEM EMOÇÃO, do meio pra trás na prime, 14h é o ideal. Acho que o máximo que dá pra chegar é 14h30, 15h. O MÁXIMO. Tudo fica caótico, tumultuado e, pior, o desespero faz com que pessoas tentem furar filas. Como boa paulista, quero MATAR quem fura fila. Então não custa nada chegar pelo menos duas horas antes de abrir o portão. E consciente de que vai ficar lá no fundo da prime – o que é ótimo, se vc pensa no povo da pista normal. Perspective is everything, como diz minha amiga @lahris.

Banheiros químicos

Não tenha medo de beber muita água e precisar dos banheiros, porque você VAI PRECISAR DOS BANHEIROS. Pior é ficar desidratado. O lema é poupar o físico para o show. Três pessoas desmaiaram em volta de mim, antes do show, por causa de sede, pressão baixa e calor. Pense bem se vale a pena OUSAR. Enfim, banheiros. Não lembro se perto do Morumbi tem posto de gasolina, mas eles são lugares bons pra fazer um xixi. Os químicos começam a ficar intragaveis já a partir das 11h e é nesse momento que você entende porque o nome deles é QUÍMICO, if you know what I mean. Mas é o jeito.

Timing de xixi e almoço

O portão deve abrir umas 17h, né. Então você tem de estar de volta do almoço e na fila, em definitivo, no máximo 15h. Esse horário das 15h é bem crítico, porque a organização fica mais presente, a expectativa da abertura do portão aumenta e tal. Todo mundo que passou o dia sentado na fila vai se
agitando. Se você guardou lugar para sua amiga que só vai chegar as 17h – sua amiga, a rainha da Inglaterra -, bom, dificilmente o povo deixa passar. Uma linha sutil separa isso de um furo de fila, convenhamos. Também não consegui ir mais ao banheiro depois de 15h30 [essa pauta do xixi é sempre tão indiscreta, me sinto INVADIDA. mas escrevo esse post POR AMOR], então até meia-noite vai ser assim. Mas digo que a gente esquece essas formalidades com o passar do tempo. Só não se acabe de tomar água depois de 12h. Sempre que faço um gol na vida, levanto a camiseta e por baixo está escrito “NOÇÃO, BRASIL”.

Mochilas ou bolsa?

Acho bolsa a tiracolo a melhor, porque dificulta a ação de espertinhos, é geralmente pequena e deixa as mãos livres. Mochila é bacana, mas prefiro levar coisas em uma sacola mesmo, já que tudo vai ser abandonado na entrada ou consumido. A mochila tem uma desvantagem extra, se sua disputa é pelo lugar da frente – você demora a ser revistado e vê as pessoas passando, lindas e felizes na outra roleta, enquanto você tira coisa por coisa pra moça verificar. “E esse espanador, pra quê serve?”. Esses segundos fazem toda a diferença. Ah, eles consideram canetas uma arma, não leve. Também não pode levar FRUTAS INTEIRAS. Adoro.

Não há como correr

As pessoas têm a vã ilusão de que irão correr para a liberdade, lá pra frente do palco, quando a manada entrar. Não é bem assim. Pelo menos em Porto Alegre, havia várias camadas de seguranças, impedindo a gente de correr. Passamos da catraca e logo encontrávamos um cara. Eu tentava dar
aquela corridinha MAROTA e outro cara me segurava. E assim vai. Me senti no Shea Stadium. São Paulo deve ter essa mesma organização, espero, porque isso evita o caos. É super perigoso correr, a pessoa pode cair, ser pisoteada, quebrar o maxilar [minha imaginação é horrível (1 membro)].

Alternativas de lugar

Certo, o portão abriu e você chegou em frente ao palco. O meio está lotado de gente, claro – todo mundo quer ficar no centro, pertinho DELE. Aí, fica a duvida: direita ou esquerda? Acho que rola a direita [nossa direita, não a do PÓL], porque lá fica o piano e ele olha MUITO pro lado direito. Dá pra ver melhor o rosto, O CORPO [tá, parei] DELE, tal. E rola mais fácil uma TROCA DE OLHARES.

Não há como ir ao banheiro lá dentro

Uma vez tendo conquistado seu lugar próximo ao palco, pronto, cabou. Xixi só no fim do show. Ou a rainha da Inglaterra acha que vão guardar o lugar dela enquanto ela vai ao banheiro? AHAM, CLÁUDIA. Não há como, e o povo não te deixa voltar. Há um código de ética muito interessante entre nós, que ficamos na frente do palco, de respeitar os lugares. Não é Ceará Music, que o povo fica passando na sua frente com uma lata de BURN na mão, dançando sem camisa. Na frente do palco cada um mantém seu lugar e, se alguma pessoa lá de trás tenta ir muito pra frente, logo é devidamente xingada e enxotada pela multidão.

Nesse aspecto, Porto Alegre foi uma lição de educação e civilidade. Um beijo para todos de lá.

Presentes pra ELE e merchandising oficial

Em Porto Alegre, cada entrada tinha uma caixa bem grande, para depositar nossas OFERENDAS para ELE. Uma coisa, como bem definiu @fpalacio, bem QUINZE ANOS. Só faltava ter uma foto dele, pra gente escrever em cima um recadinho. Acho super válido levar uma lembrancinha pro NOSSO GATO.

E certamente serão vendidos os produtos oficiais. Sei que a camisa da turnê, que é bem lindinha, foi 80 reais em Porto Alegre. Tinha amarela e branca (não lembro de preta), super usáveis no cotidiano movimentado das grandes cidades. Tinha um kit, dessa blusa mais um livro contendo o programa do show, todo feito com um papel grossinho, que saía a 150 reais. Aceitavam cartão.

Gente, pois é isso. Pra quem vai pro show, BOA SORTE e bom show. Vai ser uma experiência incrível. Depois me contem como foi!

BAIJOS (agora só falo com sotaque português)