Quando alguém no mundo fala “coca-cola”, eu ganho um dólar.
Hoje, uma Lucy como você nunca viu. Entregue aos seus leitores do Flows, refastelada em uma chaise-longue delicada, consumindo Veuve Clicquot no gargalo enquanto assiste a Twin Peaks.

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Rá. Mentira. Vocês bem que sonharam, hein, Alices?
O lance é que me revoltei. Meu, a gente faz um post pequeno, sabe, faz um esforço de síntese, algo de proporções econômicas em um contexto de crise mundial – e aí, recebe DOIS comentários. Ok, comentários muito bacanas, como sempre, de leitores bacanas. BUT, apenas DOIS comentários no último post! Obrigada, Bruno e Nivaldo, meus queridos E FIÉIS leitores, cujos rÓstos estão guardados em meu camafeu. Hunf. [/chantagem emocional barata] E então, quando eu resolvo escrever textos caudalosos como a Carta Magna, é uma alcatéia, um molho, um bando, uma horda de comentários. Não sei que mágica é essa. [Falando em mágica, mágica foi minha risada quando li a notícia de que os cambistas tavam trocando ingressos da Alanis no show de Teresina por CHICLETES].
Bem, o fato é que, além de ser a devoradora de Mentos Fruit mais rápida do oeste, sou uma pessoa um pouco hipocondríaca. Não, hipocondríaca. Tá, não preciso mentir pra vocês – sou um caso avançado de hiponcondria. “Chondros” significa “cartilagem do diafragma” e isso não quis dizer nada para mim, mas vocês entenderam. Nem sei se o que eu tenho é hiponcondria ou sofro da mesma doença do Monk. Cartas para a redação.
Sou o tipo da pessoa que usa no dia-a-dia um álcool em gel cor-de-rosa para as mãos, que evapora imediatamente e as deixa secas como o deserto, mas com uma inigualável sensação extrema de limpeza e ausência de qualquer microorganismo. Se EU não aguento aquele cheiro forte, que dirá um protozoário, uma planária estrábica insignificante. Quando sinto a evaporação e o frescor, fico mais leve. [= pode ser aplicada a algum comercial de absorvente, essa sentença]. Minha mente é programada para matar e para pensar sempre o pior. Tipo, tosses, dores de cabeça, pontadas no corpo são SINAIS. Eu quero saber se alguém aqui também sente as pontadas. Às vezes nas costas ou nas pernas. Sabe, um PIN!, uma mini-agulhada? Hum. Fico pensando que, claro, pode ser um reposicionamento dos meus órgãos internos, um mal-jeito por ter dormido errado, mas pode ser ALGO. Sabem, né? ALGO. Então.
[Sei que vocês estão me achando louca. Essa semana, no twitter, cismei que "o pedaço de Saigon" da música do Emilio Santiago (um pontinho amarelo no palco, ao lado de Elba Ramilho) era um PEIXE. Tá, Saigon é uma populosa cidade do Nam (adoro os veteranos de guerra americanos chamando o Vietnã assim. tipo, nunca vi Tommy Lee Jones falando v-i-e-t-n-ã, mas sempre NAM). Mas Saigon não parece um peixe também? Um filé de Saigon? Eu acho, tá. Me deixem com minha crença.]
Lembrei do assunto da hiponcondria porque conversava com Mary, minha nova colega de trabalho, e contei a história da psoríase. Pensei que eu gostaria de compartilhar com vocês, porque foi engraçada. Lógico, engraçada DEPOIS que passa – assim como a história de algum tombo em que você quebrou o braço em três partes e em seguida sua mãe ainda lhe deu uma palmada, pela desobediência de ter se machucado. [Nunca entendi essa lógica. E não, mamãe não é assim.]
Tá, a história.
[violinos] Como sempre, era verão em Fortaleza. 2005. Eu estava com dois empregos, dois cursos de idiomas, fazendo projeto pra entrar no mestrado e absolutamente estafada, com dois semi-círculos roxos permanentes abaixo dos olhos. Minha pele começou a somatizar o estresse e apareceram ecas em mim, não, não exatamente ecas úmidas como todas as ecas, mas eram lugares no pescoço que coçavam pacas e ficavam vermelhos. Era um nojo. Mas era uma irritação proveniente de estresse, que surgia atrás do pescoço sempre que eu me aborrecia e estava cansada, aumentando na proporção do calor [/violinos].
*a quantidade de fotos de pílulas lindas em alta resolução no Google Images é um fenômeno a ser avaliado.
Pois bem.
Procurei um médico, procurei dois médicos. Procurei uma terceira opinião. Todos me disseram a mesma coisa, que era estresse, que minha pele é saudável e normal, sardenta, ok, mas normal, e que eu estava cansada e somatizando. Eu dizia “doutor, ok, pode me dizer a verdade, estou preparada, não sou nenhuma criança, diga, diga a verdade”. Porque, na minha cabeça oca, era óbvio que eu tinha uma coisa grave. E o pobre do médico – sobrancelhas brancas muito juntas, um semblante bondoso, um olhar penalizado – quase me encaminhando para outro especialista [que, por sua vez, iria me encaminhar, amordaçada, para o quartinho branco de paredes acolchoadas mais próximo]. Tipo “querida, conheço um psiquiatra que fará milagres com você com seu método de choques elétricos”. Eu sentia alguma satisfação em usar os remédios e as pomadas, mas via que só aquilo não tava resolvendo.
Gente, eu só queria a verdade.
Pausa: quando vocês querem saber a verdade, THE TRUTH, o que fazem?
a. perguntam para a mamãe ou algum adulto responsável.
b. perguntam para algum padre ou rezam esperando alguma iluminação.
c. perguntam para a orientadora do mestrado.
d. jogam runas, tarô, i-ching.
e. assistem de novo ao Star Wars.
f. morrem com a dúvida.
g. jogam no google.
fiquei com o item ‘g’ e fiz como todos os meus contemporâneos. Joguei no google os meus sintomas. Não sei como não vim parar no meu blog, já que aqui é o receptor de diversas dúvidas peculiares que inquietam os seres humanos. Estilo “como montar um cachorro gigante de papelão para meu sobrinho”, entre outras. Mas então, joguei meus sintomas. Em português e inglês. Vera Fischer, que está parecendo uma pessoa num negativo de foto, com aquele bronze insano, deveria ter feito o mesmo. [ver também: "galeto", "câncer de pele", "envelhecimento avançado graças à excessiva exposição ao sol"]
Lógico que a minha busca abriu janelas para uma miríade de possibilidades terminais, minhas ideias devastadoras se multiplicavam como mitocôndrias. Caí em um fórum da Califórnia, de pessoas portadoras de PSORÍASE [quase o nome daquele grupo de axé, o Psirico], com depoimentos que me animaram HORRORES.
“Meu nome é Kevin, sou de Cloverdale, tenho 38 anos. Há 20 sofro de psoríase. Começaram como coceiras, placas vermelhas no pescoço e nas juntas, que em poucos meses se alastraram por todo o corpo, inclusive na face. Oh, hoje perdi minha vida social, meus amigos, minha esposa. Não há cura e todos se afastam e têm medo de mim”, etc etc etc.
Bastou ler isso – e ver algumas fotos de peles tão medonhas que beiravam a vanguarda – para eu ter uma crise na minha bolsa de valores. Liguei aos prantos para mamãe.
Eu só queria a verdade.
A VERDADE.
- Alô, mamãããããããe….!!
- Filha? Que foi?
- Mãe, eu descobri, eu tenho psoríase!!
[aí escuto um “ai meu deus” bem baixinho, impaciente]
- Filha, calma. Onde você está?
- No trabalho. Vi na internet pessoas que têm os mesmos sintomas e que perderam a vida sociaaaaaaaaaaaaaaaal!!! [lágrimas, lágrimas]
Nem preciso dizer que fui de novo ao médico e ele tipo RIU da minha cara, quando eu falei em psoríase. Fail. E não era nada, lógico, era só estresse e hoje “levo uma vida normal”, tal. Me senti uma estúpida, coroada, pra todo mundo ver. E quem disse que eu mudei? Continuo nessa vibe, usando meu álcool rosa e inspecionando a comida detalhadamente.
Na verdade eu nem sei como terminar esse texto, de tanta vergonha.
Mas eu não deixo de contar uma história engraçada por nada.
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franz ferdinand, you could have it so much better
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