Fico constrangida com as mulheres da propaganda do Activia, cantando “hoje sou feliz e canto só por causa de você”, ao lado da inscrição “nove dias”.
Ou: Chinese Democracy ganha a corrida contra o Chatô.
Ou ainda: Juram que o SACI é aspirante a mascote da Copa de 2014?
Ou still ainda: Impressão minha ou esse calor de Fortaleza é o prelúdio do juízo final? Tags: inferno, sol, calor do cão, sol, suor, sol, raios, sol, árvores imóveis, sol.

Aham, o título do post de hoje passa a léguas da originalidade. Mas relevem – tô super destreinada em escrever pro blog e isso não é como andar de bicicleta. Se bem que aposto que vocês também estão super destreinados em ler o meu. Hohoho. O empate é o melhor resultado no momento, desde que não seja no jogo SÃO PAULO x FLUMINENSE. Hunf. Enfim. O lance é que estou num processo de colagem dos meus caquinhos, após o traumático e feliz fim do mestrado. Tipo, é chegado o momento de procurar um sentido para a vida neste mundo perdido, onde os panetones com gotinhas de chocolate custam o mesmo preço de um DVD com frete.
- Venha para a luz, Querolaine!
[Vi, em um grande empório delitália de minha cidade, um panetone absurdo, de MILÃO, que custa mais de cem reais. Fiquei tão emocionada com esse espírito natalino, yadda, yadda, yadda]
Pois então. É em pleno processo de recolagem dos caquinhos de cristal de Murano de meu ser que descubro que meu blog está sendo toscamente copiado. Aliás, copiado não, porque se fosse cópia, seria minimamente legal, acho. Não me corrijam se eu estiver errada. Mas é tipo um plágio mesmo, de expressões, de palavrinhas, de idéias, temáticas e até de formatos. Chega a ser constrangedor. Chamarei a pessoa pelo nome fictício de Gloriosa. E, se até uma pessoa ridiculamente desatenta como eu notou, é porque a coisa RELUZ.
Então, ainda em dúvida, mostrei para umas três pessoas. E a unanimidade, que é inteligente neste caso, ficou toda chocada. Não existe nenhuma linha que separe plágio de influência, ali. Evidentemente, não discutirei direitos autorais, nem farei aquele barraquinho, aquela celeuma básica, aquela luta livre no gel, em que se cola um printscreen ao lado do outro e se faz toooodo um discurso para fazer a denúncia para o, sei lá, vento leste, que não tomará providências e me deixará esperando feito um coqueiro verde. Deixa pra lá, né. A Gloriosa deve ter só aquele blog para se divertir e não serei eu a tomar a bola e acabar com o jogo, volte dez casas, coisa do tipo. Quem sou eu, né.
Como vocês podem ver, ando meio resignada e venho me distanciando de discussões inúteis e da excessiva exposição na internet por pura falta de paciência com alguns comportamentos humanos [= velha]. Um combo de certa preguiça misturada com intolerância e uma coleção de pensamentos subversivos que envolvem o twitter. Não sei qual é o meu problema, mas ele é meu. Essa é a minha vida, esse é o meu clube [adoro esse comercial, meu sonho fazer um desses, sendo paga para caminhar na estrada desabafando].
- Então, Gloriosa, não lhe desejo varizes. Te perdôo. Vai que sua mãe te deixou cair do berço, vai que o médico te puxou pela orelha no parto e você é assim hoje. Deve usar frases de efeito no MSN, com mensagens cifradas from hell e que não querem dizer oficialmente nada. Tenho vontade de abraçar você, até fazer “nhon”. Fica a menção.

Aff. Eu e minha mania de não conseguir ir direto ao ponto. No jornalismo, os rodeios do começo do texto se chamam “nariz de cera”. Imagine o que temos até agora – se colocarmos os narizes de cera desta tarde lado a lado, dariam uma volta ao redor da terra; encheriam um maracanã; empilhados, chegariam à Lua; acesos, se transformariam em velas que preencheriam a basílica de Aparecida; derretidos, depilariam Tony Ramos. É que o post não é sobre a recém-descoberta cópia do Flows, mas sobre que tipo de imagem ando projetando por aí. A Gloriosa curte passar uma idéia “oh, como sou fresca e lânguida, gosto de coisas com cheiro enjoativo de morango, porque acho isso feminino. mas sou culta, gente, pelamordedeus, eu adooooro ler e asistir a tv culturaaaa”.
Daí, imaginei: será que o povo acha isso de mim? Pensei: se ela quer me copiar e se comporta assim, LOGO, eu transmito essa imagem. Tipo, será que acham que eu sou fresca e inteligente? Nhém-nhém-nhém e leitora? Será que eu represento uma dondoca sebosa e afetada? Será que passa pela cabeça de alguém que eu gosto de cor-de-rosa ou da linha artística da Colorama? Minhas tags não têm nada a ver com isso, acho que sou mais profunda, sei lá, pelo menos costumo ser. Meus sonhos são simples, sabe, são tipo ter um programa com sorteios e eu ficaria sobre uma grande pilha de cupons, ganhando uma chuva de cartas.
Obviamente, eu adoraria – por uma semana, não mais – ser uma completa mulherzinha, trabalhar por lazer e sair no meio do dia para mergulhar no mar, chegar em casa e ficar imersa em uma jacuzzi com produtos L’Occitane. Mas eu não sou a pessoa que a Gloriosa pensa, não há um universo de breguice orbitando a meu redor, com Celine Dion ao fundo, em loop contínuo. Fail.
[...]
Mas esse pequeno case da, err, “releitura insalubre” [/educadinha] de meu blog, é só um exemplo.
Porque, a cada natal e aniversário, voltam o medo e a apreensão acerca do que as pessoas dizem ser a “minha cara”. Ultimamente, os amigos têm acertado em cheio, mas já ganhei coisas muito deslocadas num passado não muito distante, como livro de Paulo Coelho, cd de banquinho + violão ou, pior, FLORES. Até minha mãe vacila, comprando roupas que me causam uma estranha emoção [ha].
Ato único: Um dia, mamãe viajou e voltou com uma calça jeans linda pra minha irmã e um osso inflável pro Elvis – e, pra mim, uma blusa com CORRENTES desenhadas na região do pescoço, arrematadas por um CADEADO. Não, não entendi a piada. Há alguns anos, ela deu pra minha irmã uma blusinha com um chinelinho desenhado na frente – e tirinhas de borracha REAIS. Não sei qual é a da mamãe, com essas propostas 3D, mas o fato é que ela tem uma percepção um tanto conceitual da gente, no quesito moda.

Outro dia, estava no shopping com umas amigas, fazendo um tour pelas lojas de cosméticos, investindo nosso dia em novas aventuras. Resolvemos dar chances aos talentos out of mainstream e entramos naquela Akakia, pra ver coé, tal. Porque, nesse mundo dos cosméticos, se a gente descobre algo fabuloso e barato, ficamos absurdamente felizes. Ainda mais na atual conjuntura, em que até a Natura tem me desapontado, principalmente após seu recente lançamento para cabelos ressecados, com princípios ativos de aloe vera e TAPIOCA. Google it. Sim, então. Entramos na Akakia – um nome que já agrega 50% de possibilidade de levar a uma escolha errada – e a vendedora era daquelas que fazem a íntima. Ela disse: “Você vai A.M.A.R. esse hidratante, sua cara” e me passou uma boooooa porção no braço. Fiquei com um cheiro de quenga incrível, era um treco à base de bala maluquinha com cidra [a embalagem acusa “morango com champagne”, acredita quem quer, né] que me dava enjôos e fiquei pensando “mas eu tenho cara de quê mesmo?”. By the way, o nome do hidratante era Crazy. Adoooro. E, sobretudo, era um ritual de adoração ao alérgico, foi um prazer sentir aquele cheiro forte em mim. O namorado da vendedora deve amar aquele cheiro também e certamente trata-se de um exemplar com alma de mocassim e espírito de gola canoa.
Outra coisa que me fez desacreditar a marca, além de produtos com aroma duvidoso, foi a dica encontrada na página 21 da revistinha que eles distribuem na própria loja: “para não borrar o rímel, seque os cílios com secador de cabelo”. WTF.
Há outros casos extremos. Lembro de um aniversário em que recebi um presente dos mais inusitados. Quem deu foi um grande amigo meu hoje, mas que na época tinha acabado de chegar a Fortaleza e ainda não me conhecia muito bem. Ou seja, foi um presente a partir de uma impressão inicial. Além de maquiagens, cremes, livros, um bloquinho e DVDs que de cara eu já ia amar, esse meu amigo me deu o filme Oldboy.
Vejamos o que Wikipedia diz sobre ele:
“Oldboy é um filme coreano, baseado em um mangá. Impossível de se definir em uma única frase, o filme consegue unir em 119 minutos, questões como vingança, amor, ultra-violência, o tempo, a crise da vida moderna, a hipnose e obstinação, tudo isso envolto a tabus sexuais. [...]
Tudo no filme possui agressividade. A face dos personagens, as cenas de sexo e até mesmo a cena do restaurante, que Oh Dae-su come um polvo vivo, sugerem ou explicitam a violência, que também aparece em constantes cenas com todos os tipos possíveis de mutilação, física e mental.”
Ênfase em “ultra-violência”, “cenas de sexo”, “polvo vivo” e “todos os tipos possíveis de mutilação”.
Err, pois então. O pior é que não achei o filme ruim, muito pelo contrário – é tão bacana que até o Spielberg quer refilmar, com atores americanos e tal. Lembra Tarantino em algumas coisas e isso também é bom. É impactante, enfim. Mas o que levou esse meu amigo a, em meio a tantas opções de DVDs neutros e amenos, escolher logo o Oldboy pra mim? Posso dizer que, depois de ver o filme, fiquei tipo entre risos e choques.
Mas enfim, a conclusão do post é feliz, conflitos à parte. Um lance introspectivo meio Gorpo, no fim de cada episodio de He-Man, com uma lição de vida. O ser humano reúne uma diversidade de gostos e jeitos de ser que despertam impressões diversas nas pessoas e aí reside a beleza da existência e… pff, chega. Foi mal, se alguém esperava que eu terminasse o post contando a true story sobre minha personalidade e minhas novas aquisições musicais / intelectuais / gastronômicas / fashion. Imaginem se eu ia dar esse mole pra turma da cópia, hein.
E, sabe, sinceramente… acabei de chegar a uma importante conclusão, depois de escrever esse texto todo – só me importo com pensamentos a meu respeito que venham dos amigos, do namorado e da família. E pronto. Como diz uma de minhas frases preferidas de novela: “sou maior de idade, vacinada e pago minhas contas”. Adoro “vacinada”.
E vocês dois, que chegaram até o final aqui, entenderam.
A primavera sorri e o amor floresce no coração.
Tô destreinada pacas, pra escrever. Nem terminar o texto com dignidade eu consigo, mas nunca pensei que um post, depois de tantos meses, pudesse render TANTO.
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tchu dê lê, tchu dê lê, beyoncé
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